Oficinas que faziam roupas da Animale e A.Brand são flagradas por fiscais em condições semelhantes ao trabalho escravo

A fiscalização do Ministério do Trabalho flagrou imigrantes vindos da Bolívia, em condições parecidas com trabalho escravo em oficinas localizadas na cidade de São Paulo. Eles estavam trabalhando mais de 12 horas diárias, fazendo peças de roupas para lojas luxuosas do grupo Soma, que nesse caso foram a Animale e A.Brand.

Os imigrantes bolivianos não tinham salário, e ganhavam cerca de R$ 5 em média pelas roupas confeccionadas. De acordo com os fiscais, algumas dessas peças eram vendidas por quase R$ 700 nas lojas da grife.

Os imigrantes contaram para os fiscais que algumas peças levavam uma manhã toda para ser feita. Auditores da Receita Federal também participaram desse flagrante, já que há três meses essa situação estava sendo investigada.

As máquinas de costura dividiam espaço com as camas em que esses trabalhadores dormiam, enquanto que crianças também estavam entre várias pilhas de tecido e máquinas.

No Brasil, com esse envolvimento mais recente das duas grifes, sobem  para 37 marcas comprometidas com a exploração de trabalhadores  em situações semelhantes à escravidão no país em menos de oito anos, segundo informações da ONG Repórter Brasil.

A organização informa pelo aplicativo Moda Livre, como quase 120 empresas fazem para combater a exploração humana ou quando elas deixam de fazer isso, no setor da moda no país.

As duas grifes declararam que não concordam com a exploração humana semelhante à escravidão, encontrada em suas oficinas de produção. Elas ainda afirmaram que os contratos que são assinados por todos os seus fornecedores, eles se comprometem a seguir todas as normas trabalhistas vigentes no país, o que inclui não contratar trabalhadores com essas condições semelhantes ao trabalho escravo em suas oficinas.

As duas grifes ainda afirmaram que elas pagam muito mais aos fornecedores do que os R$ 5 divulgados pela imprensa.

A Animale e A.Brand sentem muito por terem sido ligadas à essa infeliz situação, onde pessoas estavam trabalhando em ambientes precários, sem que as leis trabalhistas estivessem sendo cumpridas pelos seus fornecedores. Elas ressaltaram que não concordam com essa situação, que nunca tiveram contato com esses trabalhadores e que desconheciam a existência dessas oficinas. As grifes afirmaram ainda que forneceram ajuda a esses trabalhadores. As marcas já estão promovendo um maior rigor quanto a sua cadeia produtiva e estão seguindo de perto as investigações.