Vento que impulsiona as velas – ou como empreender em momentos de crise

Poucas situações são mais assustadoras para um povo que ver a economia afundando. Nós, brasileiros, não temos por hábito acompanhar o mercado de ações, fazer contas sobre juros simples ou compostos e no geral, acreditamos que o futuro a Deus pertence – e não nos preocupávamos muito com ele, até ver o país entrando em colapso, a inflação aumentando assustadoramente e o emprego formal desaparecendo cada vez mais. Milhões de brasileiros engrossam as estatísticas dos desempregados e lutam por uma recolocação no mercado de trabalho.

As grandes crises, no entanto, sempre encerram grandes oportunidades, pois nesse período instável da economia os empreendedores precisam sair da zona de conforto, observar a mudança de cenário e preencher as novas demandas, com criatividade e ousadia. Alguns dos produtos e serviços que mais consumimos hoje em dia surgiram durante momentos de crise, como a Fanta, o Nescafé, o creme Nutella e até mesmo o Uber, que vem se popularizando cada vez mais e que surgiu na pós-crise de 2008 e se alimenta da necessidade das pessoas de aumentar a renda familiar.

Segundo Mariana Fonseca, em seu artigo para a Exame “Recessão não é desculpa para ficar parado”. Com menos dinheiro para gastar, as pessoas estão se voltando para produtos e serviços mais acessíveis e gerando novas oportunidades de renda. Se não é mais possível freqüentar o salão de cabeleireiro sempre, o consumo de produtos de beleza vendidos por catálogo aumenta. Se não é mais viável ir à restaurantes caros, fabricar refeições e fornecê-las congeladas tem conquistado um público cada vez maior. Da mesma forma, cada vez mais as pessoas estão reaproveitando roupas e calçados, o que dá espaço para brechós, costureiras especializadas em conserto e customizações. Artesãos, doceiros, professores, especialistas. Sua habilidade pode preencher uma lacuna importante e gerar lucros surpreendentes.

A grande sacada da crise é observar de que forma seu talento pode ser necessário às pessoas. O que você pode oferecer como diferencial? Arregace as mangas e vá à luta, pois mar calmo não produz bom marinheiro.